O telefone tocou.
- Alô, poderia falar com Joana Bastos?
- Sim, sou eu.
- Joana. Quem fala é o Doutor Luís Aschetti, do Hospital das Clínicas. Sinto muito, mais o Sr. Felipe sofreu um acidente de carro...
- Vovô!! - Joana gritou. - Meu avô?! Ele está bem?
O médico do outro lado da linha parou, sem entender. Esperou cinco segundos e perguntou:
- Avô?
- Ahn?
- Sinto muito senhora, aqui na enfermaria está um homem de não mais que trinta anos. Sr. Felipe de Camargo.
- Felipe de Camargo? Não, doutor, não conheço nenhum Felipe de Camargo. O único Felipe que eu conheço é o meu avô.
A história era a seguinte: Felipe de Camargo sofreu um acidente de carro na estrada e foi hospitalizado, inconsciente. No bolso dele acharam a carteira, os documentos e uma agendinha. O nome de Joana Bastos e seu número novo de telefone estavam na primeira página da agenda, como contato de emergência. Com um pequeno coração desenhado ao lado do jota. Mas Joana Bastos, atônita, não conseguia se lembrar de nenhum Felipe de Camargo. Depois de desligar pedindo que ligassem para ela se não conseguissem contatar mais ninguém, Joana começou a desempoeirar a memória.
Surgiu do fundo da memória, a lembrança de um rapaz que tinha freqüentado o segundo colegial junto com ela, já fazia quinze anos. Era um amigo não muito próximo, mas ainda assim um amigo. Ele tinha uma mãe, Carla. Não lembrava mais muito. Claro! Tinha encontrado o Felipe fazia três anos. Conversaram pouco. e... A mãe dele tinha morrido há três anos.
Joana começou a lembrar disso. E a cabeça dela ficou girando. Pegou a garrafa de conhaque, dois copos e foi bater na porta do apartamento da vizinha.

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