Retomada

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Dez dias atrás, Margô terminou com o namorado. Tudo por causa de um mal-entendido, coitada. Passou brigada dias. Não aguentou. Essa quinta-feira, ia ligar para se encontrar de novo com ele. Pensou muito e pensou demais. Demorou tanto para se decidir que ele acabou ligando.

- Então Berenice (Berenice é a colega de trabalho, e de fofoca, da Margô), você acredita que o Paulo me ligou com aquela desculpa velhíssima que precisava passar em casa para pegar um livro que ele tinha esquecido? Ele nem levou livro nenhum para a minha casa, nunca! Ele vai em casa hoje de noite.

- Ah, que bom que ele ficou com saudade. Sabe, agora você pode pressionar mais. Por exemplo, finge que caiu na desculpa dele e recebe como se nada...

Mas na quarta de noite ela não conseguiu não por um vestido bonito e não fazer uma comida boa para receber ele. O Paulo chegou na casa dela pelas seis e meia, bem vestido e com um buquê de flores de baixo do braço.

- E acredita, Berenice, que ele me trouxe um buquê lindo de rosas vermelhas? Eu fiquei tão feliz! Foi uma noite tão boa... Não deixo esse homem me escapar de novo.

- Que bom, Margô, que bom!

Quinta-feira de manhã o Paulo ficou pensando na vida. Ele chegou na casa da ex-namorada para pegar o livro dele e teve um encontro. Justo na noite que tinha comprado um buquê de rosas para entregar para a namorada nova no encontro que ele tinha marcado. E as rosas ficaram com a ex-ex-namorada. E concluiu: "Pior de tudo é que nessa história toda o meu livro continua embaixo do sofá da Margô..."

A namorada do primo

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Margô e Berenice trabalham na filial da Crefisa no Itapetininga. Conheceram-se há pouco tempo, e já são grandes amigas, dessas que compartilham fofoca entre um cliente e outro. Berenice começa uma das fofocas:

- Margô, já te falei do meu primo, o Paulo?

- Paulo? Não. De Paulo, eu só conheço o meu namorado, hehe.

- Olha só, menina, que coincidência: ele também começou a namorar!

- Jura? Que legal!

- Então, nem tanto.

- Como assim?

- O Paulo anda meio insatisfeito, sabe?

- Ah, é?

- É, eu encontrei ele esses dias. Fazia tempo que eu não o via. E ele disse que tava namorando, mas que não tava feliz.

- Puxa, por quê?

- Ele não gosta dela, odeia o perfume dela.

- Ah, qual a marca?

- É da Contém 1 G.

Margô usava Contém 1 G.

- Sei...

- Mas não é só isso. Ele acha que ela tem voz de taquara rachada, que o pé dela é horrível e fedido.

Margô é complexada com o pé e com a voz.

- Ele também odeia a família dela, um punhado de católicos chatos. E ele é evangélico, né? Principalmente o pai, que fica enchendo o saco dele por futebol. Ele nunca quis falar pra ela, mas ele odeia gente sãopaulina.

Margô era devota ferrenha de Nossa Senhora de Aparecida e do São Paulo, assim com sua família.

- Há, mas ele não reclamou só disso. Reclamou do cabelo, do beijo dela... até do cachorro que ela tem.

Margô tinha um vira-latas, que era o segundo amor da vida dela.

- E, nossa, ele tava muito insastisfeito.

- É, eu imagino...

- Margô, que cara é essa?

- Não, nada.

No final de semana, Margô terminou com Paulo. Segunda-feira:

- E aí, Margô, como foi no fim de semana?

- Terminei com o Paulo...

- Ah, que pena. Puxa, falando em Paulo, o meu primo conversou com a namorada dele no fim de semana.

- Ah, sim, e...

- E, menina, a conversa foi ótima e eles se entenderam! Agora, vão se casar e passar a lua-de-mel em Cancún. Decidiram tudo isso no fim de semana! A Silvana Odete conseguiu perdoar ele! Aliás, outra coisa que ele falava muito mal era do nome dela. Silvana Odete realmente é de matar!