Simpatias de Ano Novo IV

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- Pai? É o Bernardo...
- Fala, filhão! E aí, decidiu sobre a viagem?
- Sim, sim...Eu e a mamãe vamos descer amanhã. A Flávia, minha namorada, e a família dela também vão.
- Ah e vocês vão ficar com eles? - dava pra perceber pela voz do pai de Bernardo que agora que Adriana também iria pra praia ele preferia ficar longe deles.
- Com você, ué! O apê da Flá já tá lotado. Mas eu preciso do seu endereço pra te encontrar aí...

Bernardo anotou o telefone e voltou pro quarto.Cinco minutos depois de fechar a porta ela se escancarou e Adriana jogou uma sunga branca na cama do filho. Só fazia uma semana que tinha se separado de Carlos e já parecia a velha Adriana com enxaqueca, irritada e mal-educada.Nessas horas o garoto pensava se deveria ou não investigar o picareta do futuro-padrasto.

 

No dia seguinte desceram a serra no Civic vermelho de Adriana na companhia de Dona Lucrécia e Flávia e alguns lanchinhos e farofas pra comer na ceia de Ano Novo.
Flávia e a avó ficaram no apartamento da família, logo na entrada da cidade enquanto Adriana e Bernardo seguiram até o centro, no chalé de Jaime.

Era um chalé espaçoso de 4 quartos, 3 suítes, salão de jogos, churrasqueira e uma bela varanda com algumas redes na entrada.
Jaime saiu sorridente no portão, abraçou Bernardo e cumprimentou Adriana com a distância de um desconhecido. Foi até o Honda tirar as malas enquanto Adriana ficava medindo centímetro por centímetro o jardim do chalé.

- Adriana, você não tem usado muito o carro, né?
- Por que você tá perguntando isso?
- Já faz algum tempo que não me chegam contas de mecânicos por conta de batidas, hahahahaha!
- Jaime, me poupe de suas delicadezas e brincadeiras, tá bom? Você pode andar mais rápido com essas malas? Minha enxaqueca está voltando e estou louca pra ir me deitar.

- AAAAAAAAAH! SOCORRO! LADRA! - Adriana gritou quando abriu a porta do chalé para que Jaime e Bernardo pudessem entrar com as mãos carregadas

Simpatias de Ano Novo III

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- Bernardo! Até que enfim! Seu sumiço já tava me dando dor de cabeça!
- Mal por não ter avisado, mãe. Tava na Flávia resolvendo as paradas de Ano Novo...
- Ah, filhinho! - Adriana fez questão de fazer cara de choro - Você vai mesmo viajar e deixar a mamãe sozinha?
- Ah, então, acontece que o pai ligou, também. Vou passar o ano com ele em Praia Grande. A Flávia também vai pra lá com a família dela, mas o apê deles já tá cheio.
- Ah, Bê...Você tá sabendo dos casos de água-viva por lá, né? Eu acho melhor você não ir! Sem falar que a mamãe não quer ficar aqui sozinha...Nem o Carlitinho tá aqui pra me fazer companhia! - a voz voltou a ficar chorosa.
- Bom, o papai sabia que você ia mesmo fazer drama...Ele te convidou pra descer, também...
- O SEU PAI ME CONVIDOU PRA VIAJAR COM VOCÊS? Mas ele não fazia isso nem quando éramos casados!
- Pra você ver como ele tava de bom humor...
- Ah, aí tem! E eu vou descobrir!
- Então, tá, mãe, vô arrumar as coisas pra descer e acho bom você fazer o mesmo logo, antes que o pai pense que nós não vamos...
- Mas e se o Carlitinho ligar, Bê?
- Ele não liga desde que viajou e vai ligar agora? Presta atenção, né?
- Ele disse que ia pra uma fazenda de um tio distante na ceia de Natal...Lá não deve ter telefone e nem sinal de celular, filhinho.
- Pois é. E onde ele deve passar o Ano Novo também não. E qualquer coisa ele liga no seu celular, vai...
- Ah, é verdade! Ele pode me ligar bem a meia noite no celular e enquanto o céu se enche de cores, eu vou ouvir aquela voz sexy bem no meu ouvidinho...
- MÃE! Me poupa, né?
Bernardo saiu da sala e foi pro quarto separar a roupa de banho e as outras roupas que levaria.
A mãe correu pro supermercado para comprar vários cachos de uva pra comer à meia-noite.

Simpatias de Ano Novo II

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- BÊ! - Flávia se agarrou no pescoço de Bernardo.
- Oi, Flá! Bebê, como ficou o negócio do ano novo?
- Ah, Bê...Eu ia te ligar a noite pra falar sobre isso...Miou o lance
de você ir com a gente pra praia - Flávia fez uma voz manhosa que quase
derreteu a alegria de Bernardo ao saber que poderia viajar sem magoar a
namorada - O apê da mãe vai lotar! Minha vó resolveu convidar as amigas
da Associação da Terceira Idade pra ir com a gente! Acredita, môzinho?
Agora o meu bebê não vai mais jogar as flores pra Iemanjá...
- Que pena, Flá...Mas as flores e os pulinhos tão parcialmente garantidos! - dessa vez Bernardo se sentiu no direito de sorrir - Meu pai ligou dizendo que tá em Praia Grande e quer que eu desça!
- Praia Grande? Você tá brincando, né, morzinho?! - mais um pulo sufocante no pescoço de Bernardo - O nosso apê também fica lá!!!
- Sério, môr? - Bernardo não podia acreditar em tanta sorte de uma vez só! Poderia passar o ano novo com o pai, a namorada, a família super legal da namorada e, com um pouco de sorte, com a mãe!

Ele ficou na casa de Flávia até escurecer. Assistiram Street Fighter na Sessão da Tarde. Bernardo foi então para a batalha final: a mãe.

Simpatias de Ano Novo I

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- Alô?!
- Bernardo? Filho?
- Pai?!
- Filhote! Como vai? Tudo bem?
- Sim, tá tudo bem, pai...
- Filhão, desculpa não ter te levado na casa da vó no Natal...O pai foi viajar! Tô falando agora aqui da Praia Grande...
- Viajando com os amigos?
- Ah, não exatamente...Mas isso é algo que eu quero te falar pessoalmente, hahaha
- Hum...
- Filhão, quer vir pular as 7 ondinhas esse ano novo?
- Como?
- É, filho! Estou ficando num chalé enorme! Achei que você ia preferir passar o Natal com a sua mãe e o ano novo comigo, já que ela é mais ligada em Natal em família e tal...
- Ah, pai, eu não sei...O namorado da mamãe viajou e eu não quero deixá-la sozinha! E tem a Flávia, também...Ela tava falando de me levar pra descer a serra com a família, já...
- Bom, filhão, conversa direitinho e liga no celular do papai. Se quiser...Bom...Se quiser... - ouviu-se um suspiro do outro lado do fone - Se você for se preocupar muito, pode trazer a sua mãe!
- Uau! Essa é novidade! Hahaha! Tá bom, pai.
- Falou, filhão! Fui!

Bernardo desceu a escada, pegou a bicicleta na garagem e foi falar com Flávia. Ele nunca tinha passado ano novo na praia e no mesmo ano tinha dois convites!
E o do pai era realmente especial. Fazia anos que seu pai não o convidava pra nada além de ir na casa da vó ou comprar o seu presente de aniversário. Por isso foi à casa de Flávia, ver como estavam os planos de ano novo e pra onde iriam, se fosse o caso.

 

Natal... em família?

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Bernardo sempre teve horrores a feriados. Isso significava tentar comemorar algum dia com sua mãe, Adriana, reclamando o tempo inteiro.

Esse Natal era o primeiro que eles iam pasar junto do namorado novo da Adriana, o picareta do Carlos. Picareta pelo menos é o que o Bernardo achava dele.

- Mas você vai viajar no feriado de Natal, com a sua outra namorada! - disse a Adriana, gracejando para o Carlos, no dia 19 de dezembro. E isso era significativo: a Adriana raramente tinha gracejado alguma coisa na sua vida inteira.

No final das contas, ele anunciou dois dias depois que ele iria passar o Natal com a família, em Goiás. Ninguém sabia que ele tinha uma família em Goiás e ele não especificou a cidade. Uma tia mudou para lá, depois trouxe junto a mãe do Carlos quando o pai dele morreu. História longa, aborrecidíssima, e seria melhor a Adriana nem ir porque seria muito chato e ele só está indo mesmo porque... Além de tudo, coitado do Bernardo, não merece passar o Natal numa cidadezinha (não especificada) de Goiás só porque... etc.

Pois é. Não acaba por aí a história. Quando soube disso, a namorada, agora a namorada do Bernardo, Flávia. Quando a Flávia soube disso tudo, mandou que o Bernardo levasse a mãe dele para jantar fora no dia 24 e que fosse mesmo e num lugar bom porque ela (a Flávia) ia junto.

Foram todos - namorada, filho e a mãe que estava sem o namorado - num restaurante de massas. Comeram pouco, pediram o que nenhum dos três gostava, pagaram demais, tiveram problemas com o vinho e com o estacionamento.

Foi alguma coisa pelo menos. E pelo menos tiveram no dia 25 um bom almoço, agradável, no 1416, da Dona Lucrécia, a avó da Flávia.

Quebra de rotina II

A quebra

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Esse sábado Flávia e Bernardo não vão assistir nada no shopping. Vão comprar os presentes do dia dos pais.

Flávia foi pronta pra comprar um grill desses com recipiente pra gordura pro pai que adora churrasco, mas que tem tido problemas com colesterol alto.

Bernardo, em compensação, não sabe o que comprar. Convive pouco com o pai, quase não o vê e mesmo falando com ele uma vez por semana, os assuntos não vão muito além de como anda o time de Bernardo e que ele vai se tornar um grande campeão.

- Amore, por que você não dá um grill pra ele também?
- Ahn, se eu me lembro bem, ele era vegetariano...
- Hum, um par de sapatos sociais? Ele é advogado, não é? Precisa sempre de sapatos novos!
- Eu não sei quanto ele calça...
- Bom, então filmes e cds muito menos, porque você também não conhece, né?!
- Acertou!
- Aff!! Que coisa horrível, você não sabe nada do seu pai!
- Ele saiu de casa quando eu era muito pequeno e nunca aparece...O que você queria?!

Antes que Flávia pudesse retrucar, Bernardo parou assustado, olhando um casal que ia em direção a saída do shopping.

- Flá, aquele não parece o Carlos?
- O namorado da sua mãe? De costas parece sim...
- Mas ele tá com uma mulher!
- E que mulher, né? Combinar sapatos marrons com mini-vestido vermelho? E aquela bolsa dourada?! Eu juro, Bê, se a gente estivesse na rua eu acharia que era uma prostituta de péssimo gosto!

Mas Bernardo não deu muita atenção pras alfinetadas de Flávia e começou a seguir o casal que entrou rapidamente num Chevette ocre rebaixado.
Quando voltou Flávia estava emburrada num daqueles sofás macios disputadíssimos nos finais de semana.

- Não era o Carlos...Entrou num Chevette e o carro dele é um Gol.
- Lógico que não era ele! Ele só usa camisa de pagodeiro! Aquele lá tava usando terno e tudo! Parecia o Richard Gere em Uma Linda Mulher, de tão elegante!
- É, é verdade...Vamos...Acho que vou comprar um vale-presente pro meu pai, mesmo...
- Ai, Bê, que anti-sentimental, você!

Compraram o presente, foram embora e Bernardo encontrou a mãe em casa, assistindo a novela das 8 e reclamando de como o Antenor era um homem impossível de lidar e que se ela fosse a Lúcia já teria dado um pé na bunda dele.

- Que você comprou pro seu pai, Bernardo?
- Um vale-presente...
- Só isso, filho? Ai, que anti-sentimental! Parece mesmo com seu pai!
- Ah, ele nem vai ligar...E cadê o Carlos? Não era dia de sair com ele?
- Ah, coitadinho! Foi pra Goiás visitar a mãe, coitadinha, tá doente! Ele tá arrasado!!
- Coitado. E já falou com ele hoje?
- Ah, não...Eu liguei, mas ele não podia falar, porque a mãe tava precisando de ajuda!
- Ah, tá...Vou pro quarto ver tv. Boa noite!

Bernardo deu um beijo na mãe e se trancou no quarto. Enquanto assistia Mucho Macho, percebeu que a voz do Marcos Mion era muito parecida com a voz do Carlos e lamentou que o namorado da mãe não fosse o seu apresentador favorito, pois aí ele teria dinheiro, andaria de ternos, carros chiques...
Foi então que ele percebeu: homens elegantes como Richard Gere não andam por aí em um Chevette rebaixado...
Suspeito! Muito suspeito!!

Quebra de rotina I

A rotina

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Já faz algum tempo que a vida no apartamento 514 tem seguido uma certa rotina.

De segunda a sexta, Bernardo acorda às 6, sai com a mãe às 7 e chega a escola às 7 e meia. Às 10 ele vai encontrar Flávia na sala dela e passam os 20 minutos de intervalo juntos. Ao meio dia a mãe aparece para buscá-lo. Chegando em casa almoçam a comida normal preparada pela empregada e a tarde fica sozinho em casa enquanto a mãe vai fazer compras.

De segunda e sexta Bernardo vai para a casa da namorada jantar com ela e assistir a novela das 8 com a família.

De terça e quinta, Carlos, namorado da mãe aparece para jantar com Adriana e insiste em jogar video-game com o futuro-enteado.

Às quartas o pai de Bernardo liga pra saber como anda tudo e saber se Adriana precisa de algum dinheiro extra.

Sábado, Bernardo e Flávia vão ao shopping, pra assistir qualquer coisa que esteja passando no cinema, jogar Pump It Up ou simplesmente ficar rodando pra lá e pra cá.
Adriana também sai a noite com Carlos sem hora para voltar e chega sempre muito sorridente.

Domingo Bernardo joga futebol com os amigos e a mãe passa o dia sozinha em casa, porque Carlos também tem futebol e precisa dormir cedo para começar a semana.

O namorado da mãe e a própria namorada

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Bernardo, apesar da sua vida extremamente de colegial, andou tendo alguns agitos (perfeitamente nomais...) na sua vida. No mesmo dia, brigou com a namorada e soube que a mãe tinha arranjado um namorado. Hoje, com a namorada, tudo bem. Estão juntos de novo e felizes. Já com a mãe não está tudo tão bem assim.

Feliz ela está, afinal é algo depois de sete anos de estiagem. Mas mesmo assim, quem é esse sujeito? Carlos é o nome do dito cujo, que aliás tem uma cara terrível de picareta. Sempre de camisa social listrada com o último botão aberto, um carro novo, grande e meio quebrado. Trabalha não se sabe bem em o quê em algum lugar longe do centro da cidade. Ter dinheiro, tem, porque sermpre paga alguma coisa ou traz um chocolate. (será que aquilo no dedo é marca de aliança? Não acho que não, devo estar inventando...) Além de tudo tem um sorriso simpático até um pouco demais. E o Bernardo não gosta muito de ver sua mãe sendo chamada de Dizinha e muito menos ser chamado de "ô filhão".

Pelo menos a mãe está mais calma, pensa Bernardo. Se tiver alguma coisa, depois a gente vê, mas melhor deixar essa casa ter pelo menos dois meses de sossego.

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Parte II (ou V, se preferir)

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Foi a vez de Flávia ficar muda. Não importava pra ela que ele tivesse
dito aquilo sem um buquê de rosas vermelhas ou uma caixa de bombom em
formato de coração.
Então Bernardo percebeu que aquela foi a coisa mais espontânea que ele
já tinha falado na vida. E ficou muito orgulhoso daquilo.

- Posso ir aí te ver? Eu preciso te contar tanta coisa!
- Claro que pode!
- Mas você não ia sair?
- Ah, o Lucas não vai ligar se eu não for no cinema com ele. Muito menos eu!
- O Lucas...Tá...Tô indo, então!

Bernardo chega na porta de casa de Flávia, eles sentam no banco que tem no jardim da casa e ele conta do namoro da mãe.

Conta que ela ficou muito bravo com ele, porque ele não tava dando bola
praquilo e por isso ficou de castigo, mas até que tava gostando do
cara, porque a mãe passava muito menos tempo em casa e quando estava só
sabia cantarolar ao invés de reclamar. Conta da professora gorda e fanha de história que deixou ele com 4,8 na última prova do semestre. Conta como foi ruim ficar sem falar com ela esse tempo todo e como foi fácil dizer o que sentia.

Enfim, eles fizeram as pazes e atualmente estão muito felizes como um casal adolescente pode estar!

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Parte I (ou IV)

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- Alô?!
- Oi, Rita?
- Fala, Bernardo! Tudo bem?
- Vai indo... A Flávia tá aí?
- Tá sim...Só não sei se vai querer falar com você, espera um pouco.

Já tinham se passado 10 dias desde o dia do MSN. Bernardo estava proibido de usar a internet, a Flávia o evitava na escola e o telefone vivia ocupado pela mãe. Sem falar da quase recuperação de História que prendeu o garoto no quarto mais tempo do que ele desejava.

- Alô... - disse uma voz bastante melancólica do outro lado do fone.
- Flá? Sou eu, o Bernardo.
- Eu sei.
- Flá, eu queria me explicar sobre aquele dia...
- Hum, dez dias depois é um pouco tarde, né?
- Isso faz parte da explicação, Flá...Aconteceu tanta coisa lá em casa!
- Bernardo, por favor! Você teve n chances de falar comigo e não falou porque não quis. Se você vai pedir desculpa, tá desculpado, agora dá licença, eu preciso sair.
- Onde você vai?
- Isso não te interessa!
- Me interessa sim! Eu sou seu namorado, eu te amo e quero saber onde você vai!

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(Parte III)

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Amanheceu.

Bernardo tinha dormido em cima do computador, tentando reconectar.

Quando ele acordou foi pra cozinha pegar um pouco de suco enquanto o Speedy tentava conectar.
Abrindo a porta do quarto Bernardo vê Adriana com as sandálias de salto na mão, o cabelo bagunçado abrindo a porta do quarto dela com todo cuidado.

- Filhinho, querido, você em pé, essa hora?

- O mesmo digo eu, mãe...Onde você foi??

- Ah, eu...Eu fui comprar pão!

- De vestido vermelho e salto alto??

Adriana fica quase tão vermelha quanto o vestido. Bernardo entendeu:

- Ah, deixa, não importa... 

A mãe aproveita a deixa e entra correndo no quarto pra voltar a ter cara de mãe. Com suas pantufas ela entra no quarto de Bernardo que finalmente conseguiu conectar o Speedy e tá abrindo o Orkut pra deixar um scrap explicando tudo pra Flávia.

- Bernardo? A gente precisa conversar...
- Mãe, eu já sei de onde vêm os bebês...
- Bernardo, é sério, a mamãe tem muito pra falar com você...
- Mãe, eu tô ocupado. Se é sobre qualquer coisa relacionada a bebês fica tranqüila, acho que nessa altura eu não tenho nem namorada mais
- Eu sei que você tem juízo, bebê...E a mamãe também tem, mas a mamãe...
- MÃE! Pára de ser tão egoísta...Eu preciso falar com a Flávia!
- Bernardo! Não grite comigo! Eu sou sua mãe! E sai já desse computador! Está de castigo!
- Ah, não! Você já me deu castigo no dia da Miss, de novo, não! E eu já disse que preciso falar com a Flá!
- E por isso você não quer ouvir o que eu tenho pra te dizer? Eu sou sua mãe!! E eu tô namorando! - disse Adriana aos gritos.

Bernardo parou. Olhou a mãe de cima a baixo. Ele não acha que a mãe seja feia ou assexuada, mas ela é mãe! E por um momento ele pensou se a mãe já tinha dito que amava esse novo possível padrasto... 

 

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(Parte II)

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Bernardo não deixou Flávia no vácuo, como pode parecer e como ela pensou.
A internet caiu mesmo. Mas ele também não estava apto a responder declraçaõ de Flávia.

Flávia
tem 14 anos, Bernardo já tem quase 16. E ela é uma menina que agrada
bem o tipo do Bernardo. Ela ouve JoJo, vai pra baladinha, usa chapinha,
lápis de olho e tem foto das miguxas no orkut.

Bernardo já namorou antes. Um mês e meio com uma clone de Flávia, só que essa bem mais emo.
Flávia só tinha ficado. Bernardo é seu primeiro namorado. E isso dá um toque muito mais romântico em tudo.

Bernardo
nunca aprendeu a amar de verdade. Com o pai longe, desde bebê e a mãe
reclamando o dia inteiro, ele nunca ouviu a palavra amor dentro de casa
e nunca se sentiu como se fosse amado.
Flávia era a primeira pessoa que lhe dizia isso, com todas as letras e
que fez com que ele realmente se sentisse alguém especial.

Ele tinha ficado ali, 4 minutos e 30 segundos parado na frente da tela do computador.
Quando ele começou a digitar a porcaria do Speedy caiu!
Flávia ficou 30 segundos esperando...E começou a chorar. Chorava feito
um bezerro desmamado. Sua pele super clara ficava rosa, vermelha, roxa!

E a porcaria do Speedy não voltava!!!

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(Parte I)

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Bernardo e Flávia no MSN:

FLAvINHaH S2 BeZiNh0o0- eh plAh XeMPiii !!!!!!!!!! diz:
Be...vUxXxe gOStAh Di mIM??!?!

Nardu s2 Flah - eh nois na ravedia 11!!!!! diz:
klaru ke gostu...leenda

Nardu s2 Flah - eh nois na ravedia 11!!!!! diz:
t adoru mtu...minha leenda

FLAvINHaH S2 BeZiNh0o0- eh plAh XeMPiii !!!!!!!!!! diz:
NhAI...MAxXx..................

FLAvINHaH S2 BeZiNh0o0- eh plAh XeMPiii !!!!!!!!!! diz:
PoXXu diZE 1 KOIzAh...AmoR??!?!

Nardu s2 Flah - eh nois na ravedia 11!!!!! diz:
klaru...leenda

FLAvINHaH S2 BeZiNh0o0- eh plAh XeMPiii !!!!!!!!!! diz:
a GENTI jaH TAh nAMorAnU hah 8 mESExXx

Nardu s2 Flah - eh nois na ravedia 11!!!!! diz:
eu sei!!!!! agora eu lembru a data!!!!!

FLAvINHaH S2 BeZiNh0o0- eh plAh XeMPiii !!!!!!!!!! diz:
¬¬

FLAvINHaH S2 BeZiNh0o0- eh plAh XeMPiii !!!!!!!!!! diz:
sABE u Ki EH??!?! eU ti Amu..................

FLAvINHaH S2 BeZiNh0o0- eh plAh XeMPiii !!!!!!!!!! diz:
i VuxXxE NUncaH DiXXi iXXU prah miM!!!!!

------- 5 minutos depois -------

Nardu s2 Flah - eh nois na ravedia 11!!!!! pode não responder porque parece estar offline.

Miss Universo 2007

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Adriana e Bernardo, juntos. Coisa rara hoje em dia. Ambos vendo o Miss Universo:

- Feia.

- ...

- Igualmente feia.

- ...

- A alemã é pavorosa!

- ...

- E a italiana, então?

- Mãe, por favor, quer me deixar assistir?

- Não, é que eu não consigo acreditar como as misses de hoje em dia são feias! Meu Deus!

-  (sussurrando) Vai começar...

- Na minha época, as misses eram de verdade! Não eram essas mulheres aí, construídas com silicone e cirurgias.

- Uhun.

- A dona Lucrécia. Sabe?

- Que que tem?

- Na época em que ela queria ser artista, ela era muito mais bonita do que qualquer uma aí. Ela me mostrou umas fotos. Lindíssima.

- É.

- E, sem querer ser arrogante, eu era muito mais bonita do que a maioria aí, na idade delas. O seu pai nunca teria se interessado em mim se eu não fosse tão bonita.

- Uhun.

- E a minha mãe, então? Na época dela, a Martha Rocha, que era candidata à miss, perdeu por 2 polegadas! 2 polegadas! É 7 vezes menos o tamanho da tela da TV do seu quarto! Naquela época, as mulheres eram todas naturais e...

- Mãe, chiu.

- O quê?

- Por favor, deixa eu assistir.

Adriana pega o controle e desliga a TV.

- Caramba, mãe!

- Isso que dá ser mal-educado!

- Eu só queria que você deixasse eu assistir! E justo agora tava passando a miss Venezuela!

- Que diferença faz? Ela é uma Barbie!

- E qual é o problema? Miss Universo não é só beleza! Também tem simpatia e outras coisas!

- Mas elas são todas fabricadas!

- E daí? É o mundo moderno! Não adianta comparar com a sua época ou com a época da vovó! Tem de se adaptar ao mundo moderno!

- Hum...

- Posso ver, agora?

- Vai, liga aí.

No dia seguinte, Bernardo encontra um monte de papéis anotados. Telefones de clínicas de plástica e de dermatologistas. Sua mãe estava no telefone.

- Mãe, que papelada é essa?

- Adaptação ao mundo moderno.

Dia das mães

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Bernardo está em um dilema. É dia das mães e ele mora sozinho com sua mãe chata. Não que ele não a ame, mas ele admite que sua mãe é chata, grudenta, frustrada e histérica e isso faz dele um filho ausente.

Sua namorada, Flávia, tem a mãe que Bernardo sempre quis ter: liberal, engraçada, inteligente, moderna e com uma tatuagem dos Rolling Stones.
Hoje é dia das mães.

A família de Flávia todinha vai se reunir. Os filhos e os pais vão fazer um almoço pras mães em homenagem ao aniversário de 75 anos da avó, D. Lucrécia, que mora no Itapetininga, também.

Mas devido ao tamanho do apartamento, a festa se realizará na casa de Flávia, a umas quatro quadras do prédio.

Bernardo, por sempre ajudar a velhinha com a ração do papagaio, foi convidado a participar do almoço e claro, a levar a mãe.

Eis o dilema. Ele tem que decidir o que fazer até as 11 horas:

a) Ele vai, faz companhia para a namorada, conversa com a sogra e se livra da mãe dizendo que ela não foi convidada;
b) Ele vai, faz tudo o que tem pra fazer e leva a mãe junto. Deixa ela feliz e tem um domingo horrível, porque a mãe vai querer atenção total e vai ficar regulando o rapaz, assim como Flávia e o que ele quer é tomar cerveja com a sogra;
c) Ele não vai, compra um buquê de flores e entrega pra mãe, come lazanha de microondas queimada e aguenta ela reclamando de como ela preparava o almoço pra mãe no dia das mães;
d) Ele não vai, pede pra floricultura entregar um buquê, diz que tem um trabalho pra amanhã e foge (pro shopping) do seu dilema.

A buzina tocou, a mãe ainda está enfurnada no quarto com enxaqueca. A mãe de Flávia está impaciente, esperando a mãe e o genro descerem.
Bernardo vê Dona Lucrécia saindo devagarinho pelo portão e o interfone toca.

Bernardo atende:

- Fala, meu filho! Qual é, tá pior que a Flá! Não terminou de se arrumar, não?
- Sabe o que é? Minha mãe tá passando um pouco mal, prefiro fazer companhia pra ela...
- Ah, que gracinha de menino! Quando ela melhorar dá uma passada lá em casa, hein?!

Com o interfone no gancho e o carro ao longe ele vai pro quarto. Liga pra floricultura, pede um buquê pra ser entregue no escritório da mãe no dia seguinte (já que as dores de cabeça de Adriana a impedem de atender a porta), pega a Playboy da Fani, coloca seu novo cd do Edguy bem alto e fica lá, jogado na cama, enquanto a mãe grita do quarto pra ele calar a boca que ela tá com dor de cabeça.

Ele, como bom filho que é, não ouve.

Ela, como frustrada que é, desiste.

E assim passa mais um feliz dia das mães.

Estacionamento

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Franz saía com seu Celta preto de um lado. Estava morrendo de pressa. Reunião na Apex, sua agência de publicidade.

Adriana Barros, como sempre, estava nervosa. Ia levar Bernardo ao
hebiatra. Dor de cabeça, provavelmente oriunda da TPM. Ela ia dando ré
com seu Civic vermelho, sem prestar atenção.

Quando Adriana estava terminando de tirar o carro, o Celta de Franz
bateu em sua traseira. Parachoques quebrados. Ela desce do carro. Franz
abre o vidro do carro para ouvir a verborragia. Começa a discussão:

- Você viu o que você fez com o carro?

- Minha colega, se eu fosse cego, eu nem teria carta de motorista.

- Você tem carta? Então como você consegue bater dentro de um estacionamento?

- Se uma barbeira dá ré sem prestar atenção e surge na frente do seu carro, acho que a batida se torna inevitável, né?

- Barbeira? Eu? Você já me viu dirigir, por acaso?

- Não vejo corridas de demolição.

- Ora, seu...

- Fica calma. Você tem seguro, não tem? Como nós dois temos, isso não será uma dor de cabeça completa.

- Bom...

Bernardo abre a boca:

- Mãe, ligaram do seguro semana passada dizendo que o contrato havia expirado e perguntaram se você não iria lá renovar.

Franz dá uma risadinha de canto de boca. Adriana entra em desespero:

- COMO ASSIM? O que eu faço agora?

- Bom... como eu tô morrendo de pressa, poderemos resolver depois. Vamos deixar isso pra lá.

- Não vamos a lugar nenhum! A pintura do meu Civic!

Bernardo: "Mãe, deixa pra lá!". Franz concorda:

- É, deixa pra lá. Só vai piorar as pregas na sua testa. Além do
mais, você sabe. EU tenho o seguro, portanto EU posso ferrar você, mas
EU estou te dando a chance de esquecer tudo. OK?

- Mas... mas....

- Passar bem. E escolha uma pintura melhor pra esse carro. O seu Civic vermelho desse jeito parece uma pimenta chili ambulante.

Adriana xinga até a oitava geração de Franz. Mas entendeu que era
melhor aceitar a oportunidade de esquecer. Ela só teria de arcar com o
conserto do próprio carro. Resignada mas raivosa, terminou de dar a ré
e embicou o carro, acelerando com tudo. A pressa é inimiga da
perfeição, diz o ditado. E Adriana, acelerando tudo, atropelou alguém,
quase que no portão.

- Caramba! Tô ferrada!

Pobre Alex. Fica pra outra história.

Carência

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Bernardo, pra variar, no computador, falando com sua namorada e ouvindo música. Porta destrancada. Adriana entra no quarto. Começa o calvário:

- Bernardo, meu filho?
- Ahn?
- Seja bem sincero comigo.
- Quê?
- Você me acha insuportável?
- Não.
- Jura?
- Não...
- Não, é porque, de vez em quando, você é muito ausente, não conta como foi na escola, como foi com a namorada, não me abraça, me trata como uma estranha.
- Hum...
- Me diz: eu atrapalho você?
- Não.
- Mas tem certeza?
- (abaixando o volume da caixa de som) Agora está atrapalhando!
- TÁ VENDO? Eu só atrapalho as pessoas! Por isso que o Jaime me abandonou! Por isso que todos me odeiam, inclusive você.
- ...
- Não, as pessoas só se interessavam por mim na época em que eu era bonita, que a minha pele não tinha rugas, que eu não tinha varizes!
- "now now whyyyyy don't you get a job?"
- Até o seu pai, que tinha um monte de mulher em cima, se interessou por mim... aquele canastrão!
- "say no way, say no way, ya, no waaaaay"
- VOCÊ NÃO ESTÁ ME OUVINDO!

Adriana abaixa o som do PC.

- Mas que droga, mãe!
- Eu estou desabafando e você nem aí!
- Não tá vendo que eu tô usando o PC, porra?
- É sempre assim. Sempre essa porcaria de computador! Você não sai daí! Fica nesse MSN aí e não vive!
- ...
- Eu vou tirar o Speedy!
- Você disse isso três vezes semana passada...
- Mas eu tô falando sério! OUVIU?
- ...
- Presta atenção em mim!
- (murmurando) Devia ter trancado essa porta...
- O quê? Não ouvi.
- Nada.
- Repete!
- Mãe, não prefere ir na sala ver TV não? Agora tá passando Sex and the City e eu sei que você adora. Vai lá, vai.
- É sempre assim! Ninguém me quer por perto! Eu odeio tudo! Eu odeio todo mundo! Eu odeio você!
- Tá bom...

Adriana sai do quarto, batendo a porta. Cinco minutos depois:

- Bernardo, meu filho?
- Que é?
- Desculpa pelo que eu disse. A mamãe estava um pouco nervosa, sabe?
- Tudo bem, já tô acostumado.
- Então me dá um abraço.
- *Se eu não der, ela continua a me encher o saco* Tá bom, mãe.

Os dois se abraçam.

- Ahn...
- Que é, mãe?
- Você acha mesmo que eu sou legal?
- ...

Desperate Housewife

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Pobre Adriana Barros. 38 anos. Divorciada. Um filho adolescente.

Tudo bem, em tempos contemporâneos, nada mais normal do que mulher divorciada com filho. Mas Adriana não é uma mulher normal. Não que ela seja feia ou burra, muitíssimo pelo contrário. Mas é uma chata. Sempre foi. Desde criança.

Na infância, seu passatempo preferido era denunciar seus colegas para a professora: "professora Gilda, o João tá batendo no Augusto", "professora Gilda, a Maria tá conversando no meio da aula", "professora Gilda, o Otávio não fez a lição". Sua primeira crise de TPM ocorreu aos 8 anos. Na adolescência, só reclamava, não comia, não saía com ninguém, brigava com seus 3 irmãos, ficava doente o tempo todo, fugia de casa pelo menos uma vez por mês, não deixava nenhum garoto se aproximar dela.

Adriana entrou na faculdade. Fez 2 anos de Pedagogia. Odiou o curso, como não podia deixar de ser, mas se apaixonou (pela única vez na vida) por Jaime Algarves, um bem-sucedido advogado 5 anos mais velho que ela, de origem portuguesa. Se casaram. Tiveram um filho, Bernardo. Jaime não aguentou Adriana e se separaram 7 meses depois.

Hoje, Adriana é uma notável insuportável. Dona-de-casa frustrada e solitária, vive falando dos tempos em que era bonita e que todos os garotos se interessavam. Fala das aulas de balé que abandonou aos 11 anos. Vive do (farto) dinheiro da pensão do marido. Dirige (mal) um Honda Civic LX 2004 vermelho. Passa o dia limpando a casa, lendo Paulo Coelho e se lembrando dos tempos em que (não) era feliz. Tem cólicas, pé chato, stress e asma. Seu filho Bernardo não a suporta.

Bernardo, 15 anos. Garoto normal de classe-média, lê Playboy, torce pro São Paulo, fala gírias e bebe com a galera. Passa o dia no MSN e no Orkut. Quando fica em casa com ela, se tranca no quarto para não ouvir as reclamações da mãe sobre a vida ou sobre o tênis jogado na sala. Ouve rock pesado e tem uma namorada. Um boçal.

Pobre Adriana. Pobre? Pobre o caramba!