Idas, e uma vinda

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Dois meses depois de decidirem o divórcio, o Carlinhos e a Marina ainda não tinham conseguido vender o apartamento. E embora nominalmente estavam dormindo por um tempo ele na casa de um amigo e ela na casa de uma prima, o ex-casal ainda passava muito tempo junto no apartamento. Isso porque tinha sido um divórcio por pura falta de interesse, não por excesso de briga.

Quando a Marina finalmente achou um apartamento, agora no começo de fevereiro, ela ficou pressionando mais o Carlinhos e a corretora a acharem alguém para comprar o lugar, para que ela tivesse o dinheiro para o novo apartamento dela.

- Carlinhos, ninguém quis comprar? - ela perguntou num final de tarde desses, quando eles estavam num apartamento.

- Até agora ninguém, né?

- E aqueles estudantes que queriam montar uma república?

- Eles queriam alugar, e por pouco dinheiro. Daria trabalho demais.

- E aquela família que a mãe do marido era do Acre?

- Quem? Aquela com dois filhos grandes e um bebê?

- É.

- Não sei bem, não deram retorno.

- E aquele casal... Paulo e Adriana? Aquela mulher que saiu de olhos arregalados só porque viu um casal se divorciando?

- Juliana. E ela disse que eles não vão precisar mais não.

A Marina parou. Estranhou um pouco. "não vão mais precisar"?

- Como você sabe, falou com ela?

- Falei. Ah, e não durmo aqui hoje não, tá, Marina?

- Ah, uhum.

Quinze minutos depois, quando a Marina estava fazendo um chá de hortelã, ela começou a ligar uns pontos e perguntou:

- Carlinhos?

- Sim?

- Quando que você falou com a tal Juliana?

- Éhm...

- Não está namorando a recém-casada de olhos arregalados não, está?

- Ela ainda estava noiva, tá?

- "Estava"?

- Sim, sim estava! Agora não ela está mais. Ah, e, Marina. Pode se mudar que eu te pago... eu fico com este apartamento. - disse com um sorriso.