Frases de Novela

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Mais uma pro caderninho da D. Lucrécia, diretamente do Vale a Pena Ver de Novo, Amélinha Mourão, a filha de fazendeiro mimada e que faz de tudo pra ter o que quer, conversando com o apaixonado Nélio, o peão bonitão que acreditava que ia ser o pai de Amélinha:

- Poxa, Amelinha, eu tinha tantos planos pra essa criança... - dizia o peão, muito decepcionado ao receber o resultado do exame de DNA que verificou outro pai para a criança.
- Pára com isso, Nélio! Plano de pobre é aposentadoria e a sua vem mais cedo porque é rural! - disse a mimada mocinha.

Programa da Tarde

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Enquanto não começa nenhuma novela e nem o Video Show, Dona Lucrécia assiste aqueles programas femininos da tarde...

Hoje ela parou pra ver a Mamma Bruschetta. Ela a adora! Morre de rir com o jeitão dela e ficou muito impressionada quando percebeu que aquilo não era uma mulher, mas um homem disfarçado.

Pois bem, hoje Dona Lucrécia ouviu uma frase que a deixou encafifada:

- Kátia! - com sotaque do Bexiga - Sabia que uma pesquisa disse que as mulheres de ancas largas, de coxas grossas tem filhos mais inteligentes??

A grande dúvida de D.Lucrécia agora é saber se o seu caçula foi trocado na maternidade...

Noveleira

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Dona Lucrécia é a maior noveleira de todo o Itapetininga.

Atualmente assiste todas as novelas da Globo (inclusive Malhação) e A Usurpadora, na sua quarta reprise, no SBT.

D. Lucrécia também tem mania de anotar as melhores frases e diálogos de cada novela.

Hoje ela pegou o seu caderninho durante a novela das oito e escreveu, logo embaixo da célebre "Que boa idéia essa de fazer um casamento primaveril em pleno outono!", a seguinte frase:

"Espero que um dia você faça o mesmo pela sua classe, a das patricinhas que nasceram em berço de ouro mas não tem nenhuma categoria!"

Fechou o caderno, anotou a novela, a personagem, o dia e em qual horário a novela era exibida e suspirou:

- Ah, como queria ter 40 anos a menos pra dizer isso se me aparecesse uma aguada dessas...

There's no Business like show business IV

Epitáfio

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Na velhice, José Ramiro Soares foi convidado para participar de um documentário sobre os grandes shows da Urca, muitos produzidos por ele, e ganhou o dinheiro para comprar o apartamento no Itapetininga.
Com o dinheiro da aposentadoria dos dois Lucrécia comprou um papagaio, legalizado pelo IBAMA, que ensinou a cantar, e José jogava no bingo.
Morreu lá, quando, depois de 10 anos jogando, finalmente encheu a cartela e ganhou o prêmio de 10 mil reais.
Lucrécia usou o dinheiro para pagar um advogado que cuidou do inventário, das disputas judiciais por dívidas e deixou Lucrécia viver seus últimos dias em paz no apartamento que sobrou do sonho que um dia ela teve.

Hoje em dia ela passa o dia lá, com o seu papagaio, Santos, em homenagem ao maior galã da televisão que já apareceu na vida dela: Silvio Santos.
Ela passa todos os domingos em frente a TV assistindo os programas do Baú e sonhando quando ela vai conseguir dinheiro pra tirar aquela batedeira Walita na loja do Baú.
Menos hoje, seu aniversário e dia das mães, que os filhos resolveram preparar uma surpresa. Mas ela bem que preferia ficar lá, assistindo Tentação com o Santos.

There's no business like show business III

Ascensão e Queda

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Dois anos depois, Lucrécia ia lançar um disco no programa de auditório que também ia estrear na TV.
Para ela era só felicidade! Só faltava que José percebesse que ela estava apaixonada por ele para que sua vida se tornasse um dos filmes que ela, finalmente, vira no cinema.
No mesmo dia, seu pai chegou ao estúdio. Estava furioso, carregava uma espingarda na mão e perguntava quem foi o homem que tirou sua filhinha de casa e a transformou numa mulher da vida.
José entrou na conversa querendo pedir licença para que Lucrécia se apresentasse e recebesse o cachê antes de voltar para casa.
O pai da moça não precisou ouvir nada. Agarrou José pelo colarinho, a moça pela mão e fez os dois casarem naquela hora mesmo.
Para Lucrécia foi o dia mais feliz da vida e José, apesar de achar que Lucrécia fosse muito menina, até que gostou da idéia, pensou que com o talento de Lucrécia e sua habilidade nas cartas ele finalmente ficaria rico.
Mas Seu Joaquim proibiu que a filha se apresentasse e que fosse virar dona de casa.
José Ramiro então foi trabalhar como vendedor ambulante, mais tarde abriu uma peixaria com o dinheiro que ganhou numa roleta clandestina e nessa mesma roleta perdeu tudo.
Lucrécia criou os filhos com o dinheiro que ganhava vendendo os panos de prato e toalhas bordadas, arte que aprendeu com a mãe.

There's no business like show business II

Início de carreira

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Foi amor a primeira vista. Lucrécia sabia que ele não vestia nenhuma jaqueta de couro como vira nas revistas, mas o terno branco lhe caia muito bem.
O rapaz viu Lucrécia ali parada, conversou, descobriu que ela era do interior, da sua vontade de ser artista e disse que ela escolheu a pessoa certa para ajudá-la.
Encaminhou a moça segurando em suas costas e preferiu dizer que o cassino não andava muito bem das pernas do que esclarecer que os cassinos foram proibidos no Brasil.
Havia um circo na cidade aquele dia. O circo era de um conhecido que emprestava dinheiro para José. O empresário de Lucrécia convenceu o dono do circo a fazer um teste com a garota.
Na primeira noite, ela foi a assistente do domador de macacos. José dava força pra ela, pedia que ela insinuasse seus talentos para o dono do circo.
No último dia do circo na cidade, depois de ter sido assistente de todas as atrações do circo, ela finalmente alcançou sua tão desejada oportunidade: cantar na frente de todo o público da sessão nobre do dia.
Lucrécia vestiu um lindo vestido azul, de saia rodada, uma bela fita de cetim azul celeste no cabelo e preparou a famosa musica de Carmem Miranda, Cantoras do Rádio.
Na hora H, ela sentiu-se tão encabulada com o público que fugiu do circo correndo.
José Ramiro conhecia o potencial de Lucrécia e não deixou que ela fosse embora de volta para Minas, dizia que ela não seria mais aceita em casa e convenceu a moça a ir com ele para São Paulo.
Já na terra paulista, José levou Lucrécia para cantar no show de calouros de uma famosa rádio. Achou que dentro do estúdio ela se sentiria mais a vontade. E acertou.

Na rádio começou a carreira de Lucrécia.

There's no business like show business I

O sonho

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Dona Lucrécia está prestes a completar 75 anos. Hoje em dia, vive sozinha, no único bem que seu marido deixou e que sobreviveu às dívidas.
Ela ficou viúva aos 60 anos. Era casada com o Senhor José Ramiro Soares, ex produtor de shows e frequentador do Cassino da Urca.
Inclusive, foi lá que a Dona Lucrécia conheceu seu marido. Ela era uma daquelas jovenzinhas que acreditavam que todas as mulheres das fotonovelas tinham um amor pra vida toda, acordavam com o cabelo penteado com laquê e por isso podiam andar na carroceria de um Ranchero azul calcinha dirigido por um rapaz com casaco de couro.
Quando contou para os pais que, como presente de 16 anos, queria ir para o Rio, visitar o Cassino da Urca para poder começar a sua carreira como artista, os pais de Lucrécia, uma dona de casa e um caseiro numa fazenda do interior de Minas Gerais, não aceitavam de jeito nenhum que sua filha, cortejada pelo filho do Coronel Antônio Rego, desejasse tornar-se uma meretriz.
Mas, Lucrécia, além de achar o Sinhozinho Luis Fernando Rego muito atrasado para as maravilhas de Hollywood, queria seguir o seu caminho.
Passou a trabalhar em casas de família, guardou dinheiro e ganhou vestidos belíssimos das patroas. Um dia, com uma roupa por cima da outra, ela disse aos pais que a patroa teve bebê e precisava de ajuda, pegou o ônibus e desceu no Rio.
Procurou o cassino e quando o encontrou não acreditava no que via...Não encontrou nenhuma das suas divas na porta sendo assediadas pelos milhares de fãs, só encontrou, ali, um homem muito charmoso, vestido com um belíssimo terno branco, um chapéu também branco e um par de sapatos de pelica.