A Flávia, de 1,49 de altura, anda o dia inteiro com saltos altos de pelo menos 12 centímetros, para o desespero da Regina, que mora no apartamento de baixo.
Na sexta, a Regina decidiu dar um fim nisso. Subiu ao andar seguinte, transportando com um pouco de esforço um trambolho pela escada. Bateu na porta do 2117.
- Regina? Mas que surpresa!
- Oi Flávia, tudo bem? Há quanto tempo.
- Não quer entrar?
- Não, obrigada. Só vim te trazer uma coisa.
- Ah, um presente? Inesperado. Então, entra por favor. Quem um café, uma Coca?
A Regina entrou e entregou o presente para a Flávia. Era um tapete, não muito caro, mas bom. Um desses bem grossos, de cinco centímetros de altura de pelo, daqueles que se um hamster cair lá dentro não sai tão cedo.
A Flávia adorou, achou o máximo e estendeu na sala. Agradeceu muito. Só no dia seguinte, quando estava calçando os saltos altos de sair, que se deu conta porque é que tinha ganhado o tapete, no final das contas. Mas não ficou brava, e sim achou graça. E deixou o tapete estendido pela sala.
A Regina, no dia seguinte, ficou saboreando o silêncio da manhã, sem o toc-toc-toc do salto da Flávia. Não é que deu certo?
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