Meu, que vista

A fundação da Ardósia Design Studio

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Marcos Villares consultou seus dois amigos, fechou o negócio com a corretora de imóveis, a Dinorá, e alugaram a sala 2207 do Itapetininga.

Estão fundando uma empresa. Ardósia Design Studio - design gráfico, animação computadorizada. Quem alugou o escritório foi o Marcos Villares, 27, designer. A idéia da empresa, porém, foi do seu amigo, Lúcio Paulo ("Paulúcio") de Andrade, 26, economista mineiro. E o conjunto foi completado com a Marina Fitch Santos, 29, outra designer.

Já tem cinco meses que começaram a planejar tudo. O primeiro mês foi de escolher um nome:

- Belo Horizonte Design?

- Uhm, meio cliché, não?

- Plutão Studio?

- Birô Gráfico Avenida Paulista?

- Mas a gente não está na Paulista...

- Nem em Plutão.

Depois de muita discussão ficou "Ardósia". Uns dizem que por causa de uma música, outros dizem que é por causa do chão mesmo. De um jeito ou de outro, já sabiam o que colocar no logotipo da empresa!

O tempo passou e se estruturaram. Fizeram uns projetos para arrecadar um dinheiro e conseguiram algum capital. Compraram uns computadores de tela grande.

E hoje de tarde estavam visitando os três a sala recém alugada. Chegaram lá e a Marina Fitch disse:

- Minha nossa, que puta vista!

- Não disse? - respondeu o Marcos.

- Olha lá! Dá pra ver o Itália, a casa da minha vó, a Luz. Minha nossa, dá pra ver o outro lado do rio!

- Não disse? - respondeu o Marcos.

Ficaram horas vendo a vista. Até que o Lúcio, que afinal não é "artista", deu um chega-pra-lá e ficaram discutindo os detalhes do que iriam ter que mexer naquele escritório.

Vista

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Dinorá, a corretora de imóveis que já vendeu e alugou dois terços das portas do Itapetininga, estava lá de novo, desta vez apresentando a sala nº 2207 para um tal de Marcos Villares, que estava para começar um negócio com mais dois amigos.

Apesar da maré de ruindade nos seus negócios, Dinorá estava decidida a fechar um negócio. Ou melhor dizendo, graças à maré de ruindade nos seus negócios, Dinorá estava precisando fechar um negócio.

Marcos Villares era um bom cliente. Estava querendo algo no centro da cidade, de preferência naquele pedaço entre a Conceição e a Benjamim, por gosto. A Dinorá, dessa vez, foi perspicaz e percebeu que o que realmente importava para ele era a vista. Na verdade não foi tão difícil notar isso, a partir do momento em que:

- E do que seria essa empresa que vocês estâo montando?

- Artes gráficas e design.

Ciente disso, ela colocou o cliente no elevador ("uau, que prédio fantástico!" e "uau, que elevador velho!") e levou ele para o vigésimo segundo andar. Abriu o escritório vazio e começou a mostrar:

- Você pode ver que é um escritório espaçoso e confortável.

- Uau, que puta vista incrível.

- Acho que vamos ter que trocar esse carpete e pintar um pouco as paredes.

- Minha nossa, dá para ver a cidade inteira! Olha lá! O Castelo.

- Aqui tem um banheiro, que talvez precise dar uma olhadinha na torneira...

- Pra lá deve ser Paulínia... Dá até pra ver a galinha feia do Dom Pedro. O Jóquei...

- E o aluguel custa R$ 965,00 e o condomínio vai mais R$ 350,00.

- Nossa, e olha lá como dá pra ver a Glicério até o fim... Olha, Dinorá (é Dinorá, né?) acho que você já viu que eu adorei aqui. Deixa eu só confirmar com meus dois sócios e já volto com você. Quando você está livre para a gente assinar o contrato?

Dinorá só pensou: "ah, se todo mundo fosse assim!"