Era 16 de Dezembro. Dia da viagem. Cinco dias longe dos pais, muita festa, praia e mulheres! Seria a primeira grande aventura de Alex!
A turma já estava toda reunida no saguão do aeroporto. Alex se junta a eles. O único com três malas, grandes. Quando se encaminhavam para a fila do check-in, ouve-se lá do fundo:
- Filho, filho, espera!!
Sim, era a mãe do Alex, correndo no meio do aeroporto. Ele teve medo de olhar para trás e por alguns minutos desejou que não fosse com ele.
- Filho, quase que eu esqueço! Olha os seus preservativos aqui, aqui também tem um remedinho pro estômago, um laxante se você precisar, aspirna, band-aid, pomada para as assaduras...
Alex segurava a respiração, estava vermelho, roxo, azul! Os colegas todos em volta, cochichando e só esperando a mãe se afastar para a gargalhada começar... Preservativos?? Laxante?? Pomada??
- Turma, posso tirar uma foto de todo mundo junto? Filho, fica no meio aí, vai! - "Oh my God! Tinha que ser minha mãe??" pensava...
Depois da foto onde ele parecia um pimentão, pra fechar com chave de ouro:
- Boa viagem, pessoal! E cuidem bem do meu filhinho, eim? E vocês, meninas, controlem-se, eim? Nada de abusar do meu menino, hihi...
Alguns até pararam de rir, consternados, tamanha era a vergonha dele. Mas da fila de embarque até a chegada no hotel e provavelmente até o fim da viagem, as piadas eram as mais variadas e cruéis. "Cuidem bem do meu filho, não abusem dele..."
Alex passou o primeiro dia todinho trancado no quarto. Na manhã seguinte, passado o trauma, resolveu ir para a praia. "Onde estão minhas sungas?". Encontrou as duas: a do Mickey e a do Taz.
A praia toda parou para contemplar Alex, em sua melhor forma física de cambito*, com a sunga de Mickey, coberto de filtro solar (como recomendara a mãe), com óculos de mergulho e toalha vermelha. (Ele também não se ajuda, ahn?)
Provavelmente os preservativos que a mãe comprou poderiam ficar guardados pra sempre, mas o laxante... Bom, depois de exeperimentar cerveja quente (e quem garante que era cerveja?) e comer os famigerados camarões da praia... Alex teve um excelente fim de dia, trancado no hotel novamente. Acordou suando, no meio da madrugada, depois de um pesadelo onde sua mãe aparecia na praia, levando para ele uma bóia de patinho.
No fim do dia seguinte haveria uma festa. Quem avisou Alex? O seu grande amigo Humberto: "O Rosbife, tem festa amanhã... Num perde, vai ser massa. Ah, é festa à fantasia, belê?". Poxa, Alex não tinha uma fantasia. Quando acordou, já curado das experiências gastronômicas, foi até a cidade, gastar um bom dinheiro, alugando uma fantasia... De Chapolin (com martelinho e tudo).
Estava animado para a festa. Será que a fantasia dele seria a mais original? Ele queria entrar em grande estilo. Foi então que apareceu na porta, pulando e gritando:
- Não contavam com a minha astúcia!
Deixou o martelo cair ao ver o salão todo olhando para ele com cara de "Ahn?". Estavam todos vestidos normalmente, bermuda, camiseta, chinelo... "Maldito Humberto, maldito Humberto!". Ficou uns dois minutos parado na porta, um filme de sua vida passou pela cabeça. Era mais uma pros anais. Que vergonha...
E talvez a primeira atitude corajosa da vida dele tenha sido entrar na festa. Não recuou. Foi até o bar, pediu uma batida e não escapou nem das piadas do barman: "Com álcool ou com leite?". Desobedecendo mais um dos conselhos da mãe, Alex tomaria sua primeira dose de bebida "alcóolica". Batida de abacaxi. "Poxa, isso é bom!". Tomou a primeira, a segunda, a terceira.... A décima-segunda... Depois disso, quem entrasse na festa se depararia com um Chapolin em cima do balcão, cantando Spice Girls e rebolando (tudo devidamente registrado).
Chapolin acordou com o movimento aumentando na praia. Dormiu encostado numa pedra. Acordou com várias crianças rindo em volta dele e com a dor de cabeça de uma provável experiência de quase-morte ou coma alcóolico. No caminho para o hotel, todos que o encontravam só cantarolavam "Viva forever, I'll be waiting everlasting..." e ele não entendia nada.
Já no hotel, quando começou a ser chamado de Scary Spice, a ficha caiu. E a viagem, para ele, acabava ali. Passou os outros dois dias jogando xadrez sozinho e ouvindo as piadinhas dos colegas de quarto.
De volta pra casa, teve acesso às fotos que circulavam entre os colegas da ex-escola. O que era aquela criatura bizarra, fantasiada de Chapolin tentando beijar a Samara? E aquela mesma tentando abraçar o Humberto? Olha só... Chapolin de baton... De sutiã, que original.
A dor de cabeça da ressaca duraria uns bons anos.

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