Edifício Itapetininga

Metrô

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Ana é por causa da mãe da mãe, que mora lá em Bagé e o Rosa, acredite, é porque quando ela nasceu era toda cor de rosa... Mas, peraí, se for assim, todo bebê deveria ter rosa depois do nome, né? Lúcia Rosa, Gabriela Rosa, Jurandir Rosa, Marcos Rosa... Deixa pra lá.

Ana Rosa. Nem é feio, bonitinho até. Ana Rosa Silva. Silva, Silva, Silva... Afinal, de onde vem isso? É italiano, só pode. Talvez seja indígena, é tão brasileiro. Se bem que a amiga equatoriana dela é Silva também. Tá bom, tá bom, é quase Silba...

O único problema é com a estação de metrô. Poxa, logo Ana Rosa? Quem era essa tal de Ana Rosa? Outro bebê rosa? Mais uma Silva? Será que ela gostou da homenagem? Sei lá, estação de metrô. É tão chinfrim. Se fosse um museu, uma avenida de 5 quilômetros, vai saber... Não importa. É que por causa causa dessa Ana Rosa (a do metrô), a Ana Rosa daqui tem um apelido, no mínimo, estranho. Metrô.

Amigos desnaturados. Começou na sétima série, hoje ela já está no 3 ano de Geografia e continua a mesma coisa.... "Metrô, você vai no churras?", "Metrô, terminou o trabalho?", "Vem cá, metrô". Até a mãe entrou na onda: "Mamãe tava preocupada, metrô".

Logo ela, que nem usa metrô. Prefere andar a pé ou pedalar na contra-mão da rua. Caminha 30 minutos pro trabalho, mais 25 pra faculdade e depois mais uns 40 pra voltar pra casa. Quando tá chovendo, pega ônibus... O metrô para longe demais.

Andar é gostoso e saudável. A Ana Rosa tem vários jeitos pra andar... Pulando os ladrilhos azuis da calçada, contando os passos, se equilibrando no meio-fio, dando nomes para as pessoas que cruzam seu caminho ou, quando rua está livre, andando de costas.

No domingo ela foi na casa da tal amiga equatoriana, que mora na Liberdade. Um pouco longe pra ir a pé, ônibus no domingo é dose... Sobrou o metrô. Entrou na estação - que não era a Ana Rosa - ficou observando os outros passageiros enquanto aguardava o trem.

Poxa, um garoto segurando um cão-guia (esses que guiam os cegos e que são os únicos animais autorizados a entrar no metrô) e lendo uma revistinha. Cão-guia? E lendo uma revista, que nem em braile é? Suspeito. Do outro lado, nada demais, uma velhinha simpática comendo aquelas pipocas de saquinho roxo... Mais à frente, um senhor lendo os cartazes na parede.

Depois, uma outra meia dúzia de transeuntes, nada especial, a não ser o judeu com barba grande e chapeuzinho: Como chama mesmo?".

Ela ficou observando aquelas pessoas, por uns cinco minutos e pensou consigo mesma: "Ah, até que o metrô é legal. Bem legal."

"Ah, e se eu me chamasse Armênia, além de ser nome de estação de metrô, também seria de um país... Armênia, Geórgia, Guiana... É, Ana Rosa, é legal."