Edifício Itapetininga

Maldades e Maldades S/A

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No vigésimo andar, entre o escritório de advogados e sala da esteticista, fica a Riquechut Classificados, uma empresa especializada em mandar anúncios para os principais jornais da cidade.

É uma empresa, digamos, medíocre. Ocupa 30m² mas tem ares de MegaCorp. Os principais clientes são os que figuram na coluna de Acompanhantes/Relax.

Na Riquechut trabalham 14 pessoas e dessas, as mais antigas são a Deise, a Nanci e a Teresa, ou melhor, Lúcia Teresa.
Trabalham lá desde a mudança para o Itapetininga.

Também conhecidas como víboras, jararacas, invejosas e afins, entre um café e uma olhada no jornal, destilam veneno contra todos os colegas de trabalho, inclusive contra o próprio dono.

Todos têm problemas: verrugas, excesso de peso, calvície, finanças, religião, odores, remédios, unhas...
E nada escapa aos olhos das três.

Na semana passada entrou uma estagiária nova. Formada na USP.
Fala inglês, francês e até polonês (coisa dos pais).
É bonita. Na verdade, muito bonita. Sejamos brasileiros, é o que chamaríamos de gostosa.
Bem vestida, bem penteada, escova os dentes e não toma café.

Deise tentou falar da marca das roupas. Frustração total. A moça, além de muito bonita e elegante, só usa roupas de grife.
Nanci arriscou um palpite sobre o namorado dela. Uops, ela é solteira.
Já Lúcia (sim, a Lúcia Teresa) ainda fica olhando por cima dos óculos toda vez que ela passa.
Apostou que até sexta-feira encontra algum podre na pobre estagiária.

Por sinal, Riquechut é o sobrenome do dono, escrito incorretamente.