Edifício Itapetininga

Ana Rosa

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- Ana Rosa!

Ana Rosa tinha o nome da estação de metrô e todo dia pegava a linha verde. Estava acostumada a não ligar quando ouvisse o seu nome, devia ser a estação. Era sexta-feira, fim de tarde, e o vagão estava cheio.

Não é muito comum encontrar as pessoas conhecidas aqui em São Paulo. "A cidade é grande demais, e encontrar gente certamente não é comigo", pensou. Ela está terminando o terceiro ano de geografia na USP e nunca encontrou um conhecido por acaso na rua. "Só em barzinho e em shopping. E na USP. Mas nenhum desses conta. Conta?"

- Ana Rosa!

"Bah. Preciso começar a ir de ônibus". Ela estava lendo, não olhou para a cima.

- Ana Rosa! Aninha! Menina!

"Êpa. É comigo.", ela olhou para cima e viu uma moça loira, uns seis anos mais velha que ela, acenando.

- Aninha, chamei a atenção do vagão inteiro antes de você notar!

- Meu Deus, Júlia?

Júlia era a vizinha da Ana Rosa lá em Bagé. Duas filhas únicas, a Júlia adotou a Ana como irmã mais nova. "Uma graça de pessoa" era uma frase que parecia ter sido feita para Júlia. Mas um dia ela foi estudar em São Paulo e nunca mais tiveram contato.

- Aninha, que bom, que bom, que bom te ver!

Se abraçaram. Atualizaram as notícias, trocaram os números de celular.

- Eu te convidaria para ir em casa, mas tá uma bagunça. República, sabe, Júlia? Não teria como...

- Entendo, entendo, não estou em melhores condições, mesmo, estou me mudando. Mas a gente marca um bar, a gente se liga quando a gente chegar em casa.

(Não se ligaram naquela noite, uma ficou esperando a outra e de qualquer maneira estavam muito cansadas.
Talvez se falem neste final de semana)

Quando saiu do vagão, sozinha, Ana Rosa pensou um pouco sobre o acaso. Estava sorrindo. "Desta vez vou ter que agradecer a esta cidade!"