O Tupi

ou "como ser terrivelmente mal interpretado"

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João Rodrigues, 32, mora no 1912 e trabalha no 1910. Resultado: o escritório onde ele trabalha e o apartamento onde mora tem uma parede contígua. Mas o corredor da parte residencial não tem abertura para o corredor da parte comercial e o coitado tem todo dia que descer até a rua só para subir de novo. (e o dia que o elevador parou? bem, mas isso não importa agora).

Uma manhã, no escritório, ele notou que um colega estava olhando para ele com um sorriso muito do malicioso. A princípio, não deu por nada, mas se incomodou. ("Será que depois dos quarenta, o Marquinhos está querendo me cantar?") Depois falou inocentemente:

- Quié?

- Uhmm, João... Trabalhei até de noite ontem aqui sabe...? - respondeu o Marquinhos.

- Uh? - João retrucou como se nada e o Marquinhos pensou ter visto o colega dar uma estremecida.

- Pô, João, pensa que eu não ouvi tudo? Ora... Ouvi tudinho daqui!

- Quê? ... - e parou um pouco. - Ontem de noite? - parou mais um pouco - Ah, eu estava desentupindo a pia. A pia estava entupida.

O Marquinhos explodiu em uma gargalhada.

- Pô, João, pode dizer, fala!

- Mas...

- Tudo bem, tudo. Pff - e deu uma risadinha com os dentes - Estava dando uma desentupidida, ãham.

Mas João Rodrigues ficou realmente aborrecido no fim do dia quando o Marquinhos se despediu dizendo:

- Até mais, desentupidinho!

Teve vãs esperanças que o apelido não ia pegar. Mas, depois de uma semana, já começaram a chamar ele de "Tupi".

A Senhora Catao

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- Sauer e Catao. Boa tarde.
- Oi, Arlete? Chama o Catao pra mim.
- Quem gostaria?
- É a Luciana.
- Um momento, vou estar transferindo para o ramal dele.
...
- Senhora? O Senhor Catao não se encontra.
Ele saiu para almoçar com a esposa.
- Hmmm... Esposa? Qual nome dela?
- Se não me engano, Luciana.
- Menos mal, menos mal...
- Como?
- Esquece. Bom dia.
- Boa tarde.