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Márcio Saavedra freqüentou na sua juventude um seminário. Desistiu da Igreja um pouco antes de ser ordenado e apesar de planejar estudar um pouco de teologia, se dedicou durante vinte ano a dar aulas de latim e de espanhol, o que garantiu para ele uma renda que, se não era muito, era mais que o suficiente para a sua vida.

Para mais de seus quarenta anos, decidiu ir estudar de novo e fez dois anos de Letras, um de História até se firmar e concluir um curso de Estatística. Desde então, fez mestrado e conseguiu um emprego concursado. E continuou com a mesma vida tranqüila, no apartamento que tem desde 1990.

Márcio teve durante sua vida duas namoradas. A primeira foi um amor dos vinte anos que o levou a deixar o seminário. Eram apaixonados, tentaram noivar, mas a vida tomou outros rumos e ela se casou com um filho de um pequeno fazendeiro paulista e acabou morrendo - o Márcio soube com um ano de atraso - num acidente de carro aos vinte e oito anos.

Depois de alguns pequenos namoros até antes dos vinte seis, só foi ter uma namorada foi durante os trinta e poucos anos de idade. Simone Alamá, uma moça calma, um pouco bonita e tranqüila, mas que desistiu de casar depois de três anos de namoro e um de noivado. Hoje Márcio e Simone ainda são amigos e se visitam umas duas vezes por semana.

Márcio mora sozinho. Já teve dois gatos e um papagaio, mas hoje não tem mais. Conserva suas estantes de latim, de espanhol, alguns livros teologia, um pouco de literatura brasileira e alguns autores ingleses. Cozinha seu próprio almoço (ou come fora) e faz a faxina do seu apartamento - bem arrumado, limpo e parcamente mobiliado. Não cozinha a janta. Desce todo o dia para comprar o jantar num restaurante do centro e traz a comida em potinhos de plástico para poder comer em casa, na copa, de frente para a janela.