Entreouvidos I

celular no ônibus

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Eu estava no ônibus quando o celular do sujeito na minha frente tocou.

- Alô?

- ... 

- Não.

- ...

- Não, agora não dá. Estou no ônibus.

- ... 

- Não vou falar disso aqui. Eu te ligo em vinte minutos.

- ...

- Não quero falar disso agora.

- ...

- Não tenho medo de você! Faça o que quiser.

- ...

- Tudo bem, faça o que você quiser, não tenho medo de você.

- ...

- Não quero discutir isso agora, estou no ônibus.

- ...

- Não quero discutir isso no ônibus, eu te ligo em vinte minutos.

- ...

- Não dá, já está todo mundo olhando para mim. - e olhou para trás - Já tem gente até rindo de mim!

Então desligou o telefone e ficou emburrado até sair do ônibus. 

O Gênio da Lâmpada

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Paulo tem suas estranhices e suas felicidades e muito azar. Não daqueles azares epopéicos, de arrasar famílias, um país e uma vida, mas só aqueles azarezinhos inofensivos que te drenam a paciência e te deixam com dor de cabeça por um dia.

Ontem, já meio gripado, ele foi trocar a lâmpada da sala. Pegou a escada, pôs no e tirou a queimada e guardou. Foi por a nova.

- Mãe, o interruptor está desligado?
- Acho que sim.

Não estava. Encostou no soquete tomou um choque, deu um pulo para trás, derrubou e caiu da escada e deu com a cara no sofá e com o pé na caixa de areia do gato (que não estava só cheia de areia).

Ficou, com razão e motivos, um pouco passado e foi deitar.

E a lâmpada? A lâmpada, oras, caiu. Caiu bem em cima da cabeça da mãe.