Depois de um cansativo dia de trabalho, Shlomi Rosemann decidiu sair um pouco mais cedo. Mas, ao chegar em casa, ele se depara com algo próximo a um prostíbulo. Champanhe, alguns vídeos de índole duvidosa, o sofá desarrumado, enfim, uma bagunça. Shlomi olha pros lados, procurando Elisa, e ela sai do quarto. Descalça, de cabelo desarrumado, com uma sandália de salto na mão, mas maquiada (um pouco borrada) e muito bem vestida. Um vestido preto da Zara.
Shlomi estranha. Não era dia de ir jantar na casa do papai Chanoch, não era data especial, então o que explica tudo aquilo? E por que a bagunça?
- Elisa, o que aconteceu? - Shlomi, com sotaque de Henry Sobel.
- Aconteceu o quê?
- Essa bagunça, essa desordem...
- Amor, você nem imagina!
- O que aconteceu, mulher?
- Tentaram roubar nossa casa! Tentaram nos assaltar! Quase levaram o sofá que compramos há três meses!
- Nossa! E o que mais?
- Eles queriam levar o home theater, o champanhe e a TV de plasma! Mas só chegaram a tocar no sofá e mesmo assim não levaram.
- E como você conseguiu fazer com que deixassem as coisas?
- Ah, amor. Era uma quadrilha muito grande e eu não conseguiria fazer sozinha. Então, eu ofereci a eles uma proposta: eles ficavam comigo, faziam o que tinham de fazer comigo e não levavam as coisas.
- Mulher inteligente você! Conseguiu manter nossos bens!
- Sim, e eles foram embora. Só sobrou um deles, que tá lá no quarto. Assanhado! Trouxe até vídeos, olha só!
- Ah, que desgraçado! Vou até lá matá-lo!
- Não, Shlomi, não precisa! Pode ficar aí, hehe. Ele já está indo, pacificamente. Né, Ricardão?
Ele aparece na sala.
- Você sabe o nome dele?
- Ele me contou, ué.
- Hum, e pelo visto, você foi bastante forçada, porque tem marcas de batom por todo o corpo e roupa dele.
- Com certeza, mas ele já está indo embora.
- Hum...
- O que foi, Shlomi?
- Eu não sou idiota, Elisa.
- Glup...
- Elisa Feldmann!
- Diga...
- Me responda uma coisa sincera, mas muito sincera!
- Sim, Shlomi? - com voz de resignação.
- ESTE VESTIDO QUE VOCÊ ESTÁ USANDO NÃO FOI COMPRADO COM MEU DINHEIRO, NÃO, NÉ?
- Claro que não, Shlomi! O Ricardão, antes de vir pra cá, roubou na Zara e, depois de me conhecer, deu ele para mim!
O Shlomi fez uma cara de alívio, seguida de uma cara bastante feliz. Ele conversou com o Ricardão, agradeceu a ele por não ter roubado a casa e pelo vestido e se despediu dele. O casamento segue muito bem. E Shlomi está feliz por ter se dado bem.

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