Lucas já tinha passado uma semana em luto, já tinha ido no funeral do velho tio Sinésio e já tinha chorado o que precisava. Agora só faltava ver o que faria com o apartamento.
A mãe do Lucas, Maria Olga, estava velha demais para se preocupar com essas coisas. Ela nem queria saber do apartamento. Maria Olga gostava muito do falecido irmão mas não visitava ele muito. Ela, que morava numa cidade de não mais que cinco mil habitantes, detestava São Paulo com todas suas forças.
A Olga não quer o apartamento. O irmão mais velho da Olga e do Sinésio já tinha morrido. O Sinésio não tinha tido filhos e a tia Júlia tinha morrido seis anos antes de acidente. O irmão mais novo do Lucas, o Roberto, estava fazendo pós-graduação na Inglaterra... Era o Lucas que iria ter que cuidar de tudo.
A propriedade tinha sido dividida, por algum motivo complicado, entre o Lucas, o Roberto, a Olga e o enteado do Sinésio, filho da tia Júlia, o Paulo Sérgio. Para piorar, estava dividido em porcentagens diferentes. Vender agora? Dor de cabeça demais, ainda mais porque o tal do Paulo Sérgio (apesar de completamente honesto e muito generoso) era um enrolado. Não sabia se iria querer morar agora, ou não.
Enquanto isso, que alugasse!

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