Engano

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Hoje é aniversário de Juliana, amiga de Ana Luísa.

Aniversário de domingo, sem festa, nem nada, mas, como Juliana é uma boa amiga, Ana Luísa faz questão de telefonar pra ela, se não fosse um pequeno detalhe: ela não tinha mais o número da amiga que estava anotado numa agenda que tinha ficado em Taubaté.

Tudo bem, Ana ligou para uma amiga em comum e pediu o numero e telefonou:

- Alô, poderia falar com a Juliana?
- Ah, a Juliana está no banho, ela pode te ligar mais tarde?
- Claro! 

Vinte minutos depois o telefone toca:

- Alô?!
- Oi, quem está falando?
- Ana Luísa...
- Ah, oi, você que ligou aqui?
- Quem é?
- Juliana...
- Ahn?! Peraí, é a Jujuba?
- Ah, não...
- Bom, então eu devo ter ligado pro número errado!

Ana Luísa desligou roxa de vergonha. Ela sentiu-se queimando de vergonha!
Procurou melhor nos arquivos do computador e encontrou um backup da agenda no computador.
É, a amiga errou um número e fez com que Ana tivesse ligado na casa de outra Juliana...

Dedicatória

Ponte Taubaté - São Paulo

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São 4 da manhã.

Ana Luísa voltou para São Paulo pra fazer prova em um dos institutos que não estão em greve.
Uma prova bem no dia dos namorados!!
Não importa...Seu namorado mora na mesma cidade onde ela nasceu, em Taubaté e assim que terminar a prova ela volta pra casa pra comemorar o dia.

A escolha do presente foi difícil, pois eles são completamente opostos. Ela, aquela pessoa de humanas organizada e ele uma pessoa de exatas bagunceiro. Mesmo sendo esse casal tão improvável, Ana Luísa encontrou o presente do seu namorado numa estante de sebo: um livro de Agatha Christie, uma das poucas coisas que Marcelo (esse é o nome dele) gosta de ler.

São 4 da manhã e vem o maior dilema de Ana Luisa. Maior do que a escolha do presente. O que escrever na dedicatória?
Tinha que ser algo fofo. Mas tudo de fofo que ela pensava tinha alguma coisa a ver com Filosofia e ele não ia entender.
E ela também não entende nada de exatas pra escrever alguma coisa...

Já deu 5 da manhã e a prova às 8h!
Ana Luisa parte pro seu bom senso e começa a escrever, sem saber no que vai dar.
Enche toda a página de rosto com sua letra bonita e com uma caneta tinteiro. A página fica uma belezinha!

Chega em Taubaté perto das 18h, enquanto o namorado ainda está na faculdade na última aula do dia (ele faz faculdade paga por lá mesmo). Ela chega primeiro na casa dele, deixa o presente em cima da cama dele e vai pra casa se arrumar pro jantar.

Duas horas depois eles se encontram num restaurante do centro para jantarem. Ele vem com um buquê de flores e um embrulho nas mãos.
Eles se abraçam, ele agradece pelo presente e diz que adorou!
Ana Luisa fica muito satisfeita de ter agradado e pergunta o que ele achou da dedicatória:

- Que dedicatória, Lu?
- Aquela que eu escrevi na folha de rosto!
- Ok, supondo que eu saiba o que é uma folha de rosto, eu olhei todas as primeiras páginas do livro e não achei nada...
Ana Luisa interrompe Marcelo:
- Ah, não é possível! Eu passei horas escrevendo, tenho certeza que tá lá!
- Não tá não! A única coisa que tem é uma página cheia de borrões pretos muito bizarros que devem ser o mofo do sebo!

Às vezes faz falta um mata-borrão

Semelhanças

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Ana Luisa mora sozinha. Está fazendo Filosofia na USP e por isso precisou sair de casa.
É uma garota muito organizada. Seu pequeno apartamento parece um brinco. Tem toalha sem nenhuma mancha sobre a mesa, o lençol na cama sempre impecavelmente esticado, os bichinhos de pelúcia sobre a prateleira colocados milimetricamente separados, os livros todos encapados e com uma etiqueta na lombada, indicando o nome do autor, o título do livro e a data da compra.
Além de ser muito estudiosa, dá o melhor de si sempre e nunca tira uma nota abaixo de 8,5.

No mesmo andar, vizinho de parede de Ana Luisa, na parte comercial do Itapetininga funciona uma empresa que monta máquinas de café espresso. O dono, Israel, é um homem muito desorganizado. A sala do escritório em que ele mora é uma verdadeira balburdia: livros de eletrotécnica jogados embaixo da cama, comidos por traças e empoeirados, o criado mudo cheio de copos e pratos sujos e a cama cheia de farelos de bolacha recheada de morango.

Além do andar e do prédio, o que mais os dois têm em comum?
Parentes em Mato Grosso.